Movimento Diversidade Viçosa fala sobre empregabilidade na Câmara

por Assessoria de Comunicação publicado 12/09/2018 11h55, última modificação 12/09/2018 14h08

A Presidente da Organização Não Governamental Movimento Diversidade Viçosa (MDV), Scarlet Lourenço e o Vice-Presidente Rodrigo Lopes, foram convidados a participar da reunião Ordinária na noite de ontem, terça-feira (11), pelo Requerimento nº 037/2018 de autoria da Vereadora Brenda Santinuoni (Progressistas). “Fiz esse convite, para que eles oficialmente abrissem a Semana da Diversidade, este ano com o tema Empregabilidade: Nós Queremos. A semana deve focar no emprego da população LGBT nesse País”.

A Presidente do MDV explicou que o movimento foi criado em 2010 para contribuir com o bem estar da população LGBTI+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais e outras identidades de gênero e sexualidade). Antes de agradecer à vereadora e aos demais parlamentares pela oportunidade de usar o espaço para esse chamado, ela ainda clamou que “Precisamos inserir no mercado formal de trabalho toda essa população para que não caia na marginalidade.”

O Vice-Presidente do MDV, Rodrigo, disse que “Quando foi escolhido o tema, na crise em que nos encontramos, a questão vai além do desemprego. Não tem como falar disso sem falar de educação e política, porque tudo gira em torno dessas duas causas. Quero aqui, apresentar dados que eu pesquisei junto a algumas entidades de nível nacional, como a Associação Nacional de Transexuais e Travestis no Brasil (ANTRA).”

Dados apresentados por Rodrigo:

Pesquisa Juventude e Sociedade feita pela ANTRA em 2016:

Educação

60% dos professores afirmam não ter conhecimento suficiente para lidar com as questões homossexuais em sala de aula.
60% dos LGBTs se sentem inseguros por causa da sua sexualidade nas escolas.
68% dos LGBTs já foram agredidos verbalmente nas escolas por causa da sua identidade de gênero e expressão de gênero.
27% dos LGBTs já foram agredidos fisicamente por causa da sua orientação sexual dentro das escolas.

Mulheres Transexuais

82% das mulheres transexuais e travestis no Brasil abandonam as escolas no ensino médio entre 14 e 18 anos de idade.
90% de mulheres e homens transexuais e travestis no Brasil vivem na prostituição.
40% dos assassinatos de transexuais e travestis no mundo ocorrem em solos brasileiros.

A expectativa de vida de uma transexual e uma travesti no Brasil é de 35 anos.

Rodrigo ainda ressalta que “Perante esses números caóticos, não tem como falar de empregabilidade LBGTs sem falar de como a sociedade nos vê. Esses números estão projetados justamente naquilo que a sociedade reflete na gente, o estigma que ela cria sobre a nossa comunidade, sobre o nosso grupo.”

Pesquisa feita por uma empresa de recrutamento de recursos humanos (RH) que são pagas por outras empresas para selecionarem seus funcionários.

Levantamento feito em 2015 com 1500 empresas sobre empregabilidade LBGTs em todo território brasileiro:

18 % dessas empresas não emprega LGBTs em nenhum cargo da empresa. 
11% empregam LGBTs, mas não dão cargos de visibilidade e cargos executivos.

De 230 profissionais LGBTs entre 18 e 50 anos que já estão no mercado de trabalho, 40% disseram já ter sofrido preconceito por causa da sua opção sexual, pelos seus colegas no ambiente de trabalho. Todos eles, sem exceção, relataram constrangimento e discriminação velada (preconceito disfarçado em forma de opinião).

Rodrigo enfatiza que “as pesquisas mostram que, principalmente travestis e transexuais, eles não chegam a olhar o currículo. Quando eu falo que essa pesquisa foi feita sobre LGBTs que já estão empregados, não estão incluídas as transexuais e nem as travestis. Nesse número de 40% empregados estão inclusos homens gays de origem geralmente branca e com ensino médio completo e nível superior. As travestis, as transexuais, os mais 'afeminados' não entram nessa categoria. O nosso mercado de trabalho é muito hostil ainda, mas isso é devido ao nosso tipo de sociedade. A falta de trabalhar esse tema dentro das escolas nos trouxeram prejuízos dentro do mercado de trabalho.” E finaliza reforçando que “não há outra forma de mudar isso sem ser pela política e pela educação”.

 

Texto: Marcela Figueiredo
Revisão e foto: Mônica Bernardi

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