Mulheres na Política e Programa 'Casa das Mulheres' são destaque na Tribuna

por Assessoria de Comunicação publicado 11/03/2020 16h30, última modificação 11/03/2020 17h39

A Tribuna Livre, da reunião Ordinária da terça-feira (10), contou em peso com a participação popular das mulheres Isabel Leal, Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM), Thais Rosa, Graça Nemer, Professora da Escola Pró-efeito, e Laura, Estudante da Escola, Ana Flávia Soares, Defensora Pública, e Clara Costa, para discutir sobre as mulheres nos espaços da política e da cidadania, sobre a 'Casa das Mulheres' e a criação, por parte do Executivo, do Núcleo de Atendimento à Mulher em Viçosa.

A cidadã Isabel Leal, Presidente do CMDM, e membro ativa da Casa das Mulheres, deu início a discussão alegando que o Programa ‘Casa das Mulheres’ está sob risco de ser encerrado com a inauguração do Núcleo de Atendimento à Mulher em Viçosa, uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Viçosa (PMV) sem qualquer orientação ou parceria com a 'Casa' que já atua na cidade por 10 anos, “viemos aqui para que atuemos em rede e as portas da Casa das Mulheres não se fechem. Estamos buscando a valorização de um serviço que almeja uma vida saudável para as mulheres desse Município, e que agora está sob a insegurança de não poder dar essa garantia para as viçosenses a partir do mês que vem”, alertou.

O Vereador Sávio José (PT), compartilhou das angústias relatadas, pois desde a criação do projeto, em parceria e convênios com a Prefeitura Municipal e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), o parlamentar acompanhou as lutas para essa conquista das mulheres. Além disso, o vereador questionou o Executivo quanto a criação do Núcleo e a exclusão das representantes da Casa das Mulheres na participação dessa ação, “sou testemunha. Desde o final do ano passado, o CMDM, de forma insistente, pediu à Prefeitura uma reunião, um posicionamento, para recebê-las e discutir a que cabe cada parte e infelizmente não tiveram esse retorno. De forma temerosa, as duas reuniões foram desmarcadas. Isso não é a maneira de tratar quem está no dia-a-dia no trabalho que é referência nacional, o mínimo que mostra é o desrespeito", indagou.

Thaís Rosa, membro atuante das causas feministas na Universidade Federal de Viçosa e na cidade, acrescentou à pauta reflexões sobre as mulheres na política e explicou quanto ao esforço que o feminismo faz para sanar situações de subordinação, assimetria e exclusão social sofridas pelas mulheres, “hoje podemos dizer que vivemos um momento de vigor do feminismo. Por isso, e em resposta à isso, também não são poucos os discursos de ódio que se propagaram na tentativa de abafar nossas vozes”, afirmou.

Em reflexão ao Dia Internacional da Mulher (08 de março), Graça Nemer, Professora e representante da Escola Pró-Efeito de Viçosa, usou a Tribuna para fomentar em respeito ao significado da data, “ser mulher é um ato de resistência e não precisava ser assim, e não precisará ser assim em breve. A educação transforma e nesse momento temos que publicizar as vitórias feministas. Temos que aprender, ensinar, ratificar e incentivar o respeito e a naturalização da diversidade”, disse. A estudante da Escola Pró-Efeito, Laura, completou o discurso de Graça, “não pensem no dia 8 de março como um dia qualquer, pensem como um dia de luta pela equidade e respeito, afinal de sexo frágil não temos nada. Somos fortes, guerreiras, corajosas e muito outros adjetivos que não cabem aqui”, salientou.

A Defensora Pública, Ana Flávia Soares, utilizou sua fala para enaltecer os 10 anos de serviços prestados pela Casa das Mulheres, “a Casa das Mulheres é muito mais do que prestar serviço jurídico para vítimas de violência. Muito mais do que isso, tecemos uma rede orgânica”, afirmou. Como explica Ana Flávia, a 'Casa' organiza um sistema de comunicação com o judiciário, com os serviços públicos, polícia civil, defensoria pública e com órgãos da saúde para que haja um fluxo saudável de diálogo entre a instituição para com as outras. Justamente com a construção dessa rede, como afirma a Defensora Pública, a Casa das Mulheres consegue realizar outras ações, “por meio dessa rede orgânica, conseguimos promover capacitações, debates, seminários e discussões de políticas públicas, fora a capacitação em massa de agentes da rede”. A 'Casa' também possui um terceiro eixo, que é o projeto ‘Observatório da Violência’, que coleta dados sobre a violência em Viçosa para fomentar políticas públicas e debates para as mulheres. Além do mais, Ana Flávia fortalece o discurso de Isabel alegando que a Casa das Mulheres irá realizar suas atividades até o último dia que for possível.

O Vereador Geraldo Luís (Geraldão) (PTB), como forma de tranquilizar a todas as representantes do Conselho e da Casa das Mulheres, afirmou que, em contato constante com o Prefeito em detrimento das ações do Conselho do Orçamento Participativo de Viçosa (OP), do qual é presidente, “o convênio da Casa das Mulheres será renovado sim. Estive em algumas reuniões com o Ângelo Chequer (PSDB) e foi-se confirmado que o convênio continuará mesmo com a criação do Núcleo de Atendimento à Mulher”, disse.

Para somar as lutas trazidas ao plenário, a cidadã Clara Costa abordou sobre as mulheres negras na periferia, “eu não venho aqui para desmerecer nenhuma das lutas trazidas pelas minhas companheiras de causa, pelo contrário, nenhuma luta desqualifica a outra”, justificou. Clara questionou quanto a prepotência de discussões políticas marginalizando a população periférica, não letrada em Leis, que precisa que essas discussões sejam pensadas neles também, “eu acho prepotente montar leis sem se sensibilizar. Acho complicado a gente vir aqui debater, sabendo que crianças estão vendendo drogas para universitários. Imagina isso para uma mãe que fica no morro procurando o filho alucinado a quase cinco dias. E isso fundamenta, se a gente for parar para pensar, todo o percurso político dos negros no País”, salientou. A Vereadora Brenda Santunioni (Progressistas) reforçou a fala da cidadã, “eu vivo uma dupla luta e entendo perfeitamente a situação trazida pela Clara. Realmente ainda peca-se na sensibilização com as áreas periféricas no Brasil como um todo e acho que nós, como cidadãos devemos sempre pensar em ações que alcancem a essa população”.

 

Texto e montagem: Thiago Fernandes

Revisão e foto: Mônica Bernardi

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